Música, regionalismo e internet: está chegando o #comusica

O II Encontro Nacional de Pesquisadores em Comunicação e Música (@co_musica) terá como tema central a relação entre territórios urbanos, gêneros musicais e crítica cultural. Destaca-se nesse cenário o consumo de música para além dos formatos tradicionais. A afirmação das tecnologias móveis e de uma rede de shows aponta para os tecidos urbanos como um lugar privilegiado de materialização da música na comunicação e cultura contemporâneas, daí o interesse renovado nas cenas musicais como lócus de circulação e apropriação da produção musical atual.

O evento acontece nos dias 01 e 02 de dezembro e hoje (30/11) é o último dia para se inscrever. Vale ressaltar que a inscrição é gratuita, e para fazer basta preencher o formulário.

Além das conferências com especialistas sobre o assunto como: Jeder Janotti Junior (UFAL/UFPE); Marcelo Costa (Scream & Yell, Portal Terra); Adriana Amaral (Unisinos); e outros, haverá apresentação de trabalhos nas seguintes temáticas:

1)     Mídias móveis e o consumo de música

2)     Cenas musicais

3)     Música e tecido urbano

4)     Sons da cidade e gêneros musicais

5)     Valor e crítica cultural no mundo da música

 

Desenvolvi um trabalho na temática “4 – Sons da cidade e gêneros musicais” com Bruno Felipe (@brunovisck) e vamos apresentar o trabalho na sexta-feira dia 02 as 15h. O título do nosso trabalho é “Oxe! Eu recomento: representatividade das similaridades musicais em torno da Social Tagging Nordeste no Last.fm“.

 

RESUMO: a era das redes e tecnologias digitais altera consideravelmente o modo de produção e consumo da cultura e arte, e oferece novas configurações para os meios e processos de circulação da música. A partir dos recursos da web 2.0 com ênfase na interatividade e colaboração as plataformas sociais de música usadas para disseminar artistas, bandas e gêneros mudam as relações entre produtores e consumidores de música e criam uma aldeia global sonora. A disseminação de informações nesses ambientes digitais além de reduzir as distâncias entre as bandas e seu público possibilita visualizar a representatividade das similaridades e afinidades estéticas musicais compartilhadas. O presente trabalho subscreve-se na perspectiva dos sons da cidade e gêneros musicais e analisa por meio da abordagem folksonômica com foco na etiquetam feita pelos usuários, a configuração das similaridades musicais em torno da social tagging “nordeste” no Last.fm.  A folksonomia refere-se aos aspectos ligados à classificação social e está diretamente relacionada a questões sociais, políticas e culturais que vão influenciar no processo de classificação de uma banda ou artista. Segundo Loiola, Monteiro e Guerra (2009) há uma grande variedade de ritmos musicais que contribuíram com a diversidade da cultura do Nordeste que, além de rica e colorida possui traços notadamente regional como o Forró, o Baião, o Xaxado, bem como das músicas e danças folclóricas, e das tradicionais festas religiosas dedicadas aos santos padroeiros, os quais foram se espalhando e se modificando por toda a região, com as peculiaridades que lhe são próprias. Procura-se verificar esses elementos cultura musical nordestina no contexto digital do compartilhamento na web, na perspectiva da folksonomia, em plataformas como o Last.fm cuja facilidade e a rapidez de inserir arquivos, fazê-los circularem, compartilhá-los e recuperá-los mudam profundamente processo de difusão musical (Santini & Lima, 2009). Além disso, no Last.fm o social tagging pode ser usada como ferramenta para construção de identidade musicais e culturais dos usuários a partir dos gêneros e subgêneros musicais (Amaral & Aquino, 2009). Vale lembrar ainda que, o fato do usuário deixar de ser um simples expectador e ouvinte, para se tornar um agente que envia e afere etiquetas aos conteúdos na rede, categorizando-os, o possibilita ser conhecido e conectar-se a grupos através de interesses em comum. A social tagging “nordeste” foi criada por 300 usuários e utilizada 851 vezes e sua lista é representada por 100 artistas/bandas. Desse número, cada uma está relacionada a outras a partir da classificação feita pelos usuários que obedece aos seguintes enquadramentos: “Super similaridade”, “Similaridade muito alta”, “Similaridade alta” e “Similaridade média” apresentando um total de 2.003 conexões. Para o presente trabalho, a análise da representatividade foi realizada a partir de um recorte considerando apenas os dois primeiros, visto que, foi possível observar que a partir da classificação “similaridade alta” a relação de gênero entre as bandas já não é tão precisa. A “super similaridade” apresentou 531 conexões, enquanto a “similaridade muito alta” 1472 conexões. Os artistas mais expressivos foram Zeca Baleiro, Dorival Caymmi, Luiz Gonzaga e Cartola. Embora a social tagging seja “nordeste”, não necessariamente todas as bandas e artistas recuperados são da região, levando assim em consideração outros aspectos. Isso fica evidente com o caso da banda Raimundos, que é do Sudeste, mas possui álbuns que remetem a traços nordestinos, o que de certa forma influenciou os usuários a classificarem com a tag. Não foi identificada nenhuma ligação com bandas estrangeiras o que pode denotar, seguindo a visão dos usuários, que não existe nenhum tipo de influência das bandas nordestinas com relação a bandas de outros países. Contudo, o que ocorre é que existem várias similaridades indicadas pelos usuários com bandas de outras regiões do país, representando assim que não é um círculo fechado, e que independente da região elas podem apresentar semelhanças. Ressalta-se que a partir desse tipo de representação, onde é o usuário que classifica a similaridade entre as bandas, é possível entender seu comportamento frente àquilo que eles acreditam ser a influência das bandas.

Para mais informações nos encontramos no @co_musica!

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